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segunda-feira, 4 de maio de 2009

VIAGEM INTERIOR




O homem prossegue na sua viagem de circunavegação para o seu mundo externo. Antes, ele enfrentava o mistério dos mares em busca dos tesouros, de terras novas e de civilizações capazes de atender a sua ânsia de conquistas e de progresso. Foi assim que os portugueses chegaram ao Brasil, há quinhentos anos. E hoje temos esta jóia de país, com os seus contrastes, suas belezas e suas esperanças.

E foi também assim que outras civilizações se encontraram, se confrontaram e se abraçaram, enfim reunindo-se no mesmo mapa em que hoje se destacam como nações consolidadas ou em processo de crescimento. Depois que o homem se familiarizou com o desconhecido dos mares, as viagens se voltaram para os espaços cósmicos, em busca de outros mundos que flutuam nas regiões siderais até então indevassáveis.

Trocando as caravelas pelas naves espaciais, eis que o homem pousa na Lua que os antigos adoravam como deusa. Mas continuando sua viagem para fora de si, o homem já projeta o pouso em Marte, o deus da guerra de povos primitivos. Temos hoje mais do que uma frota de foguetes que o homem lançou no espaço em torno da atmosfera terrestre para espionar de cima o que ele não consegue vasculhar em baixo.

Senhor da terra e do espaço, o homem viaja também à enorme velocidade pelas entranhas das próprias células do seu universo corporal, em busca de conquistar mais tempo e mais qualidade para a vida. Já começa a se aprofundar nos labirintos do DNA, num esforço de identificar as futuras doenças para se preservar delas. E prosseguindo sua viagem em torno de si, o homem tem hoje o mundo dentro de casa, graças aos milagres da comunicação pela Internet. Com todas essas conquistas fantásticas, o homem não se conhece ainda porque não fez a grande viagem interior, para dentro de si pelos caminhos da alma humana.

Por isso, não descobriu ainda a felicidade. Continua enredado nas teias do egoísmo, pai do orgulho, que gera a ambição, a injustiça e a violência. Chegamos ao ano 2000 dominando o universo externo das nossas aspirações, mas não conseguimos ainda navegar os mares revoltos de nossas almas deseducadas, viciadas e imperfeitas. Sem perder de vista as grandes conquistas materiais nos mares que nos empurram para a praia das ciências, não podemos negligenciar a grande viagem para dentro de nós, para que o homem comece a descobrir os valores nobres da solidariedade e da paz, para uma vivência fraterna – antídoto para a violência.


Wanderley Pereira

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